25/11/2010
Rapaz picado por carrapato de capivara está em estado vegetativo em Cajazeiras



O jovem José Airton Vicente 20, natural do sítio Gravatá município de Monte Horebe que foi vítima de uma picada de um carrapato de capivara durante o tempo que esteve em São Paulo trabalhando no corte de cana, está em estado vegetativo na cidade de Cajazeiras.

O rapaz que foi transladado de São Paulo para a terra do Padre Rolim de avião e internado no HRC com diagnostico de febre maculosa, uma doença rara transmitida por um parasita encontrado em cavalos, éguas, mulas e principalmente em capivaras, há alguns dias recebeu alta e os médicos aconselharam a família a ficar em Cajazeiras para que ele possa ter acompanhamento médico.

A família que é de origem pobre fez um sacrifício e alugou uma casa no bairro dos Remédios no valor de R$ 300,00, onde José Airton se encontra passando por dificuldades. Ele precisa fazer 3 sessões de fisioterapia semanais que custam R$ 30,00 cada, e a sua alimentação se baseia em leite e cereal (Mucilon ou Farinha Láctea) o que fica difícil devido a situação financeira da família. Foi dado entrada no INSS em um benefício para o rapaz que já foi aprovado e inclusive já está depositado, mas não está sendo possível o sauqe devido a documentação ter vindo de São Paulo em nome de José Airton, que para receber precisa assinar e ele se encontra com o corpo paralisado. A família também precisa da ajuda de um advogado para este caso.

Durante a manhã desta quarta feira 24, a família procurou a rádio Oeste da Paraíba que começou um campanha em prol de arrecedar donativos para José Airton. Muitas ajudas em dinheiro e também em alimentação chegaram ao programa Jornal da Manhã e você que quiser ajudar é só procurar a recepção da emissora e deixar sua doação.

Entenda o que é Febre Maculosa

Definição

A febre maculosa é uma infecção aguda causada por uma bactéria, a Rickettsia rickettsii. O homem é infectado através da picada do carrapato que eventualmente carrega esta bactéria nas suas glândulas salivares.

Incidência

Esta é uma doença rara, porém o número de pessoas diagnosticadas vem aumentando desde 1996 quando se tornou obrigatória a sua notificação para os centros de vigilância epidemiológica. Estima-se que a maioria dos casos não é diagnosticada e que os dados disponíveis são provavelmente inferiores à verdadeira incidência.

É mais comum na zona rural, principalmente dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Infecção

 A Rickettsia é uma bactéria que sobrevive basicamente dentro das células dos carrapatos. No Brasil, o carrapato mais comum e também o que mais comumente é vetor desta infecção é do tipo Amblyomma cajennense. Estes carrapatos são também conhecidos como “carrapato-estrela”, “carrapato de cavalo” ou “rodoleiro”. Eles infestam animais domésticos como as galinhas, cavalos, bois, cachorros e porcos e também animais selvagens como os gambás, as capivaras, cachorros-do-mato, coelhos, tatus e cobras.

O carrapato infectado pica o hospedeiro e através de sua regurgitação inocula a bactéria na corrente sanguínea do animal ou, mais raramente, em feridas abertas. No homem, isso não é comum porque para que haja a infecção o carrapato tem que ficar aderido de 4 a 6 horas.

Todas as pessoas são susceptíveis à infecção as quais, depois de infectadas, adquirem imunidade, provavelmente para o resto da vida.

Esta infecção não passa de uma pessoa doente para outra por contato físico nem contato com saliva, urina ou fezes. Sempre é necessária a picada do carrapato. Porém, a ausência de um relato de que houve a picada por um carrapato não exclui o diagnóstico já que este relato depende da observação e da memória do indivíduo. Além disso, mais de um caso pode aparecer na mesma família ou em pessoas que moram na mesma região porque foram expostos aos mesmos animais portadores de carrapatos infectados.

Os casos são mais comuns nos meses de primavera e verão.

Sintomas

A pessoa infectada pode desenvolver sintomas de 2 a 14 dias após a picada, em média, uma semana. Estes sintomas podem praticamente não existir ou serem muito fracos, o que dificulta o diagnóstico.

Nas pessoas que desenvolvem o quadro mais característico, a febre pode ser moderada a alta, chegando até 39 a 40 graus. Esta febre pode durar de 2 a 3 semanas e geralmente a pessoa tem que restringir as suas atividades, necessitando repouso no leito. É comum ter dor de cabeça intensa, dor no corpo, calafrios e edema dos olhos e conjuntivas.

Nos primeiros dias de febre pode aparecer a mácula, de onde vem o nome da doença. São lesões de pele, róseas, nos punhos e tornozelos, que progridem para o tronco e face e após, mãos e pés. Em 2 a 3 dias, estas lesões adquirem um certo volume e podem ser sentidas ao toque quando ficam de uma coloração mais forte. Após 4 dias podem ficar arroxeadas. Nas áreas de maior atrito, podem se unir e formar uma placa que se parece com um hematoma. Pode haver descamação nas áreas mais intensas. O local onde houve a picada pode formar uma úlcera necrótica semelhante à lesão de picada de aranha.

A doença pode evoluir para cura espontânea em 3 semanas. Porém nas formas mais graves, as lesões de pele são mais hemorrágicas podendo até ocorrer áreas de necrose nos dedos, nas orelhas, no palato mole e nos genitais. Podem ser acompanhados de sangramento de gengivas, do nariz, vômitos e tosse seca intensa. Os casos que necessitam de internação hospitalar são aqueles em que há um comprometimento sistêmico com pressão baixa, sangramento digestivo, desidratação e insuficiência ventilatória.

O diagnóstico diferencial se faz com outras doenças infecciosas que também se apresentam com lesões de pele e febre alta como febre tifóide, sarampo, rubéola, meningite meningocócica, leptospirose e malária.

É importante ressaltar que muitas pessoas podem ter esta infecção sem ou quase nenhuma lesão de pele ficando o diagnóstico muito difícil.

A mortalidade pode chegar até 20% dos casos diagnosticados.

Diagnóstico

O diagnóstico de certeza se faz através de exames laboratorial do sangue do doente, através de sorologia e cultura.

Tratamento

A maioria das pessoas tem um curso benigno que necessita só de medicações sintomáticas como analgésicos, antitérmicos, hidratação oral e repouso. Estima-se que estas pessoas não chegam a procurar atendimento médico e a infecção tem uma resolução espontânea em algumas semanas. Os casos mais graves, quando diagnosticados, devem receber antibióticos específicos e medidas de suporte, muitas vezes necessitando até de tratamento intensivo.

Prevenção

- Evitar contato com animais domésticos e silvestres em regiões reconhecidamente de alta incidência da doença.

- Se for necessário entrar em contato com animais vistoriar o corpo de 3 em 3 horas já que o carrapato necessita ficar aderido por mais de 4 horas para transmitir a infecção.

- Se necessitar andar em locais de vegetação alta, usar calças compridas e botas.

- Não esmagar o carrapato, já que a bactéria pode entrar em algum ferimento do homem.

- Usar carrapaticida em animais domésticos com a freqüência recomendada.

Curiosidade

Esta doença é a mesma conhecida nos Estados Unidos como Rocky Mountain Fever, ou, Febre das Montanhas Rochosas.


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