07/09/2011
Furadeira é usada em cirurgias no Hospital
de Trauma

Equipamento que deveria ser usado, o craniótomo, está quebrado.
Médico esclareceu que uso da furadeira aumenta o risco das cirurgias.
O médico e membro da associação dos médicos da Paraíba, Ronald
Farias, disse nesta segunda-feira (5) que o Hospital de Emergência e
Trauma Senador Humberto Lucena, localizado em João Pessoa estaria usando
uma furadeira comum para realizar cirurgias cranianas. O aparelho
normalmente usado para realizar este tipo de cirurgias, conhecido como
craniótomo, está quebrado. O hospital é gerenciado pela Cruz Vermelha,
que não negou o uso da furadeira e disse que o equipamento correto está
quebrado há mais de um ano. A Secretaria de Saúde, no entanto, nega toda
a história
A afirmação foi feita em uma entrevista à Rede Paraíba de Comunicação,
da qual fazem parte o G1 Paraíba, TV Cabo Branco e TV Paraíba, durante
uma sessão especial na Câmara Municipal de João Pessoa que discutia a
saúde na capital. O hospital, que é o maior do estado, é referência em
situações de emergência e recebe pacientes vindos de cidades do
interior e até dos estados vizinhos.
Segundo o médico, esse aparelho serve para abrir o crânio e de acordo
com ele, com o craniótomo é possível realizar o procedimento em 10
minutos e sem o aparelho este mesmo procedimento dura cerca de uma hora e
pode ser prejudicial ao paciente. O médico afirmou que este aparelho está
quebrado e que precisa ser rapidamente consertado.
médico ainda aproveitou o momento para criticar a atual gestão do
hospital, que foi terceirizada pelo Estado e está sob administração da
Cruz Vermelha desde 6 de julho. Segundo ele, o simples fato de mudar
apenas a gestão estatal para a gestão privada não vai resolver os
problemas do local. “Existem vários outros fatores que precisam ser
melhorados na atual situação, então a gente entende que o melhor
posicionamento para resolver isso seria a criação da empresa paraibana
de hospitais”, completou.
Então, esse aparelho é apenas um assunto do todo, porque quando você
privativa a saúde não há interesse maior dos empresários em querer
resolver os problemas. Porque quanto mais economia tiver, mais lucros eles
vão obter. Então o nosso questionamento é justamente esse de que a gestão
na saúde pública é prejudicial”, afirmou Ronald.
Resposta
De acordo com nota enviada pela Cruz Vermelha, “os craniotomos estão
quebrados há mais de um ano, já foram consertados e voltaram a não
funcionar – situação esta, inclusive, anterior ao início da gestão
Cruz Vermelha”. Através da nota, a entidade garante que já estavam
previstos para a próxima leva de manutenção, esta semana, que caso não
apresentem condições para aproveitamento, será providenciada a compra
de novos equipamentos.
Nota do Estado
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) da Paraíba enviou nota à imprensa
desmentindo as informações do médico e membro da associação dos médicos
da Paraíba, Ronald Farias. Segundo a nota, o Trauma possui dois craniótomos
e três trépanos, equipamentos utilizados nas cirurgias neurológicas,
que estão em pleno funcionamento.
G1
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