Acompanhamento de microcefalia vai ser feito em ala específica de hospital


O Hospital Municipal Dom Pedro I, em Campina Grande, vai ter uma área específica para atendimento de gestantes que carregam fetos com diagnóstico de microcefalia. O anúncio foi feito pelo prefeito da cidade, Romero Rodrigues, durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (18). De acordo com o prefeito, essa área vai contar com profissionais de psicologia, enfermagem, obstetrícia e pediatria para acompanhar os casos diagnosticados em ultrassonografias.



MICROCEFALIA


Na noite da terça-feira (17), a Secretaria de Saúde de Campina Grande (SMS) tinha anunciado a criação de um serviço especializado para dar suporte às gestantes com suspeita de infecção por Zika vírus e aos bebês com microcefalia no município e nas cidades circunvizinhas.


Ainda de acordo com Romero Rodrigues, um mutirão de atendimento vai ser feito com gestantes a patir de 16 semanas de gravidez. "Serão oferecidos exames de ultrassonografia especializada e coletado líquido amniótico das grávidas", disse o prefeito, acrescentando que no caso de ser detectada a má-formação dos fetos, a grávida receberá assistência médica na ala específica do Pedro I.


De acordo com a secretária de saúde de Campina Grande, Luzia Pinto, o acompanhamento será feito desde a gestação até o nascimento. “Serão solicitadas ultrassonografias entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. Se o diagnóstico for normal, a gestante continua fazendo o tratamento e o acompanhamento dentro da estratégia de saúde da família. Se for confirmado a suspeita de microcefalia, essa mulher vai ser encaminhada para o serviço especializado”, explicou.


Ainda nas ações divulgadas pelas prefeitura, está a intensificação no combate ao mosquito. Na sexta-feira (19), os bairros detectados como focos devem receber o carro fumacê.


Ainda na terça-feira, o Ministério da Saúde informou que a epidemia de contaminação por zika vírus registrada no primeiro semestre é a "principal hipótese" para explicar o aumento dos casos de microcefalia na região Nordeste. As análises em Campina Grande foram feitas a partir do líquido amniótico coletado de duas gestantes, cujos bebês haviam sido diagnosticados com a má-formação congênita em exames de ultrassonografia.


O presidente da comissão de investigação e monitoramento de microcefalia de Campina Grandex, Antônio Henriques, explicou como é o procedimento para as gestantes serem acompanhadas pelo serviço.


“Se a paciente apresentar um quadro de vermelhidão no corpo, ou de qualquer um dos sintomas de infecção por Zika vírus, ela deve procurar imediatamente a unidade de saúde, para que seja encaminhada para fazer exames de sangue que possam detectar a causa dos sintomas. Paralelamente ela também fará uma ultrassonografia para investigar a microcefalia. Se for confirmado, ela passa a fazer o acompanhamento pré-natal por uma equipe especializada para estes casos”, orientou Henriques.


O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado na terça-feira, aponta que, até este mesmo dia, na Paraíba, 21 casos de microcefalia tinham sido notificados. Ainda segundo o mesmo boletim, em sete estados da região Nordeste foram notificados 399 casos da doença em recém-nascidos.



Relação inédita

Sobre a relação da infecção pelo vírus com a microcefalia, o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, informou que as investigações estão sendo feitas com cautela.


"Vocês podem perguntar se isso fecha a correlação entre as duas coisas, e minha resposta é: 'quase'. Estamos sendo bastantes cautelosos, mas não se encontrou nenhuma outra causa até o momento. Tivemos uma circulação importante do vírus no Brasil no primeiro semestre, coisa que aconteceu pela primeira vez na nossa história", disse Maierovitch. Maierovitch disse ainda que a relação entre o vírus zika e a má-formação genética "é inédita no mundo" e não consta na literatura científica até o momento. "Nossos cientistas, cientistas do mundo que se interessarem, devem nos ajudar a provar essa causa e efeito."


Apesar disso, o Ministério da Saúde não trabalha com a hipótese de que o vírus zika em circulação no Brasil tenha sofrido mutação e se tornado mais perigoso. “O Zika foi identificado em pouquíssimas partes do mundo. Foi no Brasil e no primeiro semestre que ele circulou com mais intensidade. Essas consequências 'novas' podem não ter sido identificadas antes porque a circulação ocorreu em áreas limitadas", afirmou o diretor.




G1 Paraíba

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