Temer chega para cúpula do G20 e diz que não há crise econômica no Brasil


O presidente brasileiro, Michel Temer, afirmou na manhã desta sexta-feira (7) que não existe uma crise econômica no Brasil. Ele havia acabado de chegar a Hamburgo, na Alemanha, onde participa da cúpula do G20. "Crise econômica no Brasil não existe. Vocês têm visto os últimos dados. Pode levantar os dados e você verá que estamos crescendo no emprego, estamos crescendo na indústria, estamos crescendo no agronegócio. Lá não existe crise econômica." Questionado sobre se a crise política não atrapalharia, ele negou com um gesto movendo o dedo indicador.


No último dia 30, o IBGE divulgou que o desemprego no Brasil é de 13,3% e atinge 13,8 milhões de pessoas, dado considerado estável pelo instituto em comparação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2016, por outro lado, houve alta de 20,4%, com um adicional de 2,3 milhões de pessoas desocupadas. Já a produção industrial brasileira cresceu em maio pelo segundo mês consecutivo. A recuperação, porém, é considerada "pouco vigorosa" pelo IBGE.


Outro fator citado por Temer, o agronegócio cresceu 13,4% no primeiro trimestre do ano, puxando o PIB do país.


AGENDA- Temer participa durante o dia de uma reunião dos Brics (grupo composto por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul), durante a qual adiantou que discutirá o ambiente com os demais países. A mudança climática é um dos grandes eixos dessa cúpula, que congrega os líderes das principais economias do mundo -são 19 países, incluindo EUA e Alemanha, somados à União Europeia.


A passagem de Temer por Hamburgo, com retorno previsto à tarde de sábado, coincide com as negociações em Brasília para barrar na Câmara a denúncia de corrupção passiva contra ele. O presidente brasileiro havia cancelado sua participação no G20, mas reavaliou a decisão na segunda-feira. O governo tenta, com sua visita, transmitir uma imagem de normalidade institucional, em meio à crise política.



DIVERGÊNCIAS O debate desta cúpula se centrará em temas como ambiente, migração e terrorismo, em que há divergência entre governantes, por exemplo, Trump e Merkel. Segundo a Folha apurou com fontes familiares ao processo, o Brasil deve defender visões semelhantes às da União Europeia. O país concorda com o Acordo de Paris sobre o ambiente e quer manter o sistema multilateral de comércio -dois assuntos em que Trump discorda. A migração também terá força na visão brasileira, que será apresentada como mais aberta do que a americana, onde viajantes vindos de uma série de países islâmicos têm tido seus vistos de entrada negados. No caso do Brasil, o enfoque será nos haitianos e venezuelanos.


Folha de São Paulo

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