Sarampo soa alarme para baixa cobertura vacinal no país


"O retorno de uma doença eliminável por vacina, como o sarampo, significa que todas as outras doenças que estão eliminadas ou controladas no país, e com baixas coberturas vacinais, têm risco de sua reintrodução ou aumento do número de casos", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha.


Para Marco Aurélio Sáfadi, chefe do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e membro do comitê técnico assessor em imunizações do Ministério da Saúde, é importante inclusive se revacinar -boa parte dos casos de sarampo ocorreu em indivíduos adultos que tomaram a vacina quando bebês.


A propagação do vírus do sarampo é rápida e ocorre antes mesmo de o doente exibir os sintomas, o que ajuda a causar epidemia. Por isso, há duas estratégias para frear o surto. A primeira é reduzir mortandade, vacinando os menores de um ano de idade.


"Mais da metade das mortes de 2018 foi de crianças menores de um ano. Em 2019, três bebês morreram. Crianças estão pegando a doença de adultos não vacinados", alerta Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.Kfouri diz que o governo não tem, neste momento, vacinas suficientes para a imunização em massa. "A necessidade atual pede que as vacinas sejam destinadas às ações de bloqueio para impedir que o vírus se espalhe, mas tem que ser rápido e oportuno." Ele afirma que, além do sarampo, outras doenças podem voltar, como a rubéola, eliminada antes do sarampo. "Ela só não despontou como o sarampo porque não é facilmente transmissível e tem menos casos no mundo", diz.


A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, está disponível na rede pública gratuitamente. O Ministério da Saúde recomenda que bebês de seis meses até 11 meses e 29 dias e jovens de 15 a 29 anos tomem duas doses; adultos de 30 a 49 anos devem tomar uma. Acima dos 50 anos, e dos 59 anos em São Paulo, a imunização deve ocorrer apenas em ações de bloqueio. "Os serviços de saúde precisam identificar qual fenômeno impede a população de ir ao posto de saúde se vacinar e pensar em estratégias para elevar as coberturas", diz Carla Magda Allan Domingues, que até agosto coordenava o Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.


O tema foi alvo da 21ª Jornada Nacional de Imunizações, que ocorreu nesta semana em Fortaleza (CE). Além da propagação de mentiras sobre a vacina, os especialistas apontam a falsa segurança em relação à doença como um dos fatores para a baixa cobertura. "Por que me vacinar contra uma doença que não existe no Brasil? No caso do sarampo, as pessoas esquecem que é uma doença grave, facilmente transmissível e pode levar à morte", afirma Juarez Cunha.


A hesitação também é alimentada pelo medo. "A rede pública deve estar capacitada para tirar dúvidas do paciente e dar a segurança de que ele precisa. A dificuldade de acesso é outro problema", diz ele. Outra barreira, segundo ele: "O horário de funcionamento dos postos é restrito e coincide com o período de trabalho de quem precisa se imunizar".


A especialista em imunização da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) Lely Guzman aposta na orientação do funcionário que aplica vacinas para esclarecer boatos. "É ele quem deve passar as orientações sobre a eficácia das vacinas e os riscos das doenças, mas para isso é necessário que esteja munido de ferramentas corretas para a sua comunicação", ressalta.


Catole News



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