Variante indiana chega ao Brasile preocupa especialistas




O Brasil confirmou ontem, no Maranhão, os primeiros seis casos da variante B.1.617 da Covid-19, originada na Índia. O primeiro homem infectado é um indiano de 54 anos – que não teve o nome revelado –, que começou a ser acompanhado por equipe médica no sábado, quando deu entrada em hospital particular de São Luís, com sintomas já agravados que indicavam infecção pelo novo coronavírus.


A informação foi confirmada ontem pelo secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula. Segundo o chefe da pasta, o indiano era tripulante do navio MV Shandong da Zhi, com bandeira de Hong Kong, que ancorou no litoral de São Luís no dia 7, vindo da África do Sul, com outras 23 pessoas a bordo. Todas foram testadas e, destas, seis apresentaram a sub-linhagem B.1.617.2 da variante indiana – já foram identificadas três cepas distintas ao redor do mundo. Ao todo, 15 tripulantes apresentaram exames positivos para o coronavírus, sendo que 12 estão assintomáticos e outros dois apresentam sintomas leves da doença.


Com exceção do indiano, que continua internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), as outras 23 pessoas da embarcação estão isoladas em alto-mar e, segundo o governo do Maranhão, até o momento não há transmissão da cepa. Outras 100 pessoas que tiveram contato com os estrangeiros ou que possam ter se contaminado de forma local, também estão isoladas e serão submetidas a exames.


A variante já foi identificada em outros 44 países, nos seis continentes. A chegada da cepa no Brasil, porém, preocupa especialistas, sobretudo por possível terceira onda da doença, ainda mais agressiva.


O vírus modificado foi identificado na Índia em outubro de 2020, quebrando todos os recordes mundiais de transmissibilidade e mortes pela doença, conforme avalia a epidemiologista e professora do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Sônia Regina Pereira de Souza. A especialista explicou que o principal risco da cepa é seu alto índice de transmissibilidade, ainda maior que as duas variantes já conhecidas. “O que se sabe até agora é que uma pessoa contaminada com essa variante indiana transmite o vírus ainda mais do que as cepas anteriores. Além disso, esse vírus acomete mais pessoas jovens e crianças, em velocidade de propagação muito maior”, explicou a especialista.


Sônia afirma que a preocupação é que o vírus “escape do sistema imunológico”, contaminando pessoas que já foram acometidas anteriormente, inclusive aquelas que contraíram as duas cepas, ou até mesmo o público vacinado. Para ela, o ideal neste momento e isolar os tripulantes e estudar possíveis contatos que tiveram. “Quanto mais isolado, menor a propagação. O Brasil teria de fechar as fronteiras e ter rigor nas medidas (sanitárias de prevenção)”, orientou.


Quanto à eficácia das doses de vacina contra a Covid para a nova variante, a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e a comunidade científica afirmam que “ainda não se sabe se as vacinas atuais protegem da nova cepa indiana”. A OMS (Organização Mundial da Saúde), no entanto, afirmou ontem que as vacinas desenvolvidas contra a Covid são eficazes “contra todas as variantes do novo coronavírus”.



Diário do Grande ABC


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